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domingo, 8 de julho de 2007




ANTÓNIO OLIVEIRA E SILVA, Paris
CLAUDE PARIS-AP (imagem)





Nicolas Sarkozy é considerado pelos meios de comunicação social franceses e estrangeiros como alguém especialmente dotado para a comunicação e para o debate. E o peso que o recém-eleito presidente francês tem nos media está mesmo a preocupar jornalistas e organismos representativos da classe, como sindicatos e os Repórteres sem Fronteiras (RSF).

A demonstração dos seus dotes com a comunicação não é de hoje. Em 1993, tentara negociar, então como presidente da Câmara Municipal da cidade de Neuilly-sur-Seine, com Eric Schmitt, o informático que mantinha reféns 21 crianças num jardim-de-infância daquela localidade.

Foi visto como a voz dos franceses em fúria pelas inúmeras vezes em que disse o que pensava a câmaras de televisão, sem complexos. Incendiou literalmente o debate político e social no Hexágono, em 2006, quando era ministro do Interior, ao explicar a uma senhora que a livraria de toda a escumalha (em francês, racaille) que a incomodava.

Polémico incontornável, Nicolas Sarkozy bateu recordes de audiência em entrevistas concedidas em programas de televisão para os canais TF1 e France 2, superando em ambas as vezes os sete milhões de telespectadores, segundo o Le Monde.

A relação entre Sarkozy como Chefe de Estado e os grandes grupos de comunicação franceses começa definitivamente a preocupar organismos como os RSF, que não se coíbe de lançar alertas.

Em 2005, O jornalista Alain Genestar foi afastado da direcção da revista Paris-Match, propriedade grupo Lagardère, depois da publicação de uma fotografia de Cecilia Sarkozy (mulher do presidente) com um então seu companheiro sentimental.

O director geral e accionista maioritário do grupo, Arnaud Lagardère, é amigo pessoal do Presidente.

Acusações ao poder

Um episódio de auto-censura aconteceu posteriormente, durante as presidenciais deste ano. Jacques Espérandieu, director da redacção do Journal du Dimanche, outra publicação do referido grupo, teria reconhecido perante a France Press ter recebido "chamadas da parte de pessoas insistindo na não publicação dos documentos que comprovavam que Cécilia Sarkozy não teria ido votar, por se tratar de assuntos da vida privada".

Ambos os episódios são descritos num comunicado dos Repórteres Sem Fronteiras de Maio deste ano, onde organização apela à vigilância para o mandato de Nicolas Sarkozy na Presidência e alerta para eventuais atentados contra a liberdade de expressão.

Um artigo encontrado na versão digital do diário Libération a propósito do referido affair faz eco das preocupações dos principais sindicatos de jornalistas franceses, que têm denunciado o poder instalado de ter "decidido passar a pente fino as redacções de certas publicações e que consideram tal situação chocante".

Um caso mais recente, mas igualmente suspeito, constitui a nomeação de Laurent Solly, de 36 anos e antigo director de campanha adjunto de Nicolas Sarkozy, como presidente do canal de televisão privado TF1, o primeiro em termos de audiência.

A oposição socialista veio de imediato a terreiro denunciar a situação, classificando-a de "completamente indecente".

Uma jornalista da revista Marianne, conhecida por pelo seu papel de contestatária do poder, assinou um artigo no início deste ano, onde confirma a habilidade do então ministro do governo de Chirac em exercer a sua influência perante os principais grupos de comunicação franceses, grupos publicitários incluídos.|
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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