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quinta-feira, 19 de julho de 2007

TAM nega "blindagem da informação"




Tiago Cordeiro



Por meio de sua assessoria, a TAM negou qualquer “blindagem da informação” como alguns repórteres que cobriram ontem à noite o acidente chegaram a declarar na terça-feira (17/07) durante a cobertura da tragédia. “Colocamos boletins com informações disponíveis. Sempre que temos algo novo, estamos divulgando”.

A empresa disponibilizou um hotsite com os comunicados oficiais sobre o acidente. O último anúncio informa a lista dos 186 passageiros que estavam no avião. Na manhã desta quarta-feira, a descrição do atendimento à imprensa era que “o telefone está tocando sem parar”. O C-se não conseguiu detalhes sobre o trabalho de assessoria que a CDN está prestando na crise enfrentada pela companhia.

Após horas sem atualização, a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) publicou uma nota lamentando o acidente. A reportagem não conseguiu falar com a assessoria da empresa. Na madrugada desta quarta-feira, a Agência Nacional de Aviação Civil também divulgou uma nota se solidarizando com os familiares das vítimas.

A primeira entrevista coletiva da TAM foi marcada para 11h e adiada para 14h30min, no Hotel Renaissance. "A assessoria da TAM já saiu pra falar com a gente e a empresa até marcou uma coletiva, mas o que a gente quer é um estudo preliminar do que aconteceu", explicou Bianca Vasconcelos, repórter do SBT.

A jornalista lembra ainda que "a situação é delicada", o que explicaria a demora na divulgação das informações. Em diversos momentos, a TAM já comunicou que a prioridade é a comunicação com os parentes das vítimas do acidente.

Desde às 4h em Gongonhas, Vanessa Di Sevo, da Rádio CBN, não tem o que criticar do trabalho da assessoria. "Eles estão por perto, têm boa vontade, quando não sabem uma informação procuram descobrir e nos passar. Seria um sonho chegar aqui depois de uma acidente como aquele e ter todos os dados. Mas tudo é assim mesmo, um quebra-cabeças".

Três pessoas estão respondendo pela assessoria da companhia de aviação na entrada do saguão de autoridades. Médicos legistas, policia, Corpo de Bombeiros e a Companhia de Engenharia de Tráfego, fora autoriades do governo, têm se mostrado atenciosas com a mídia.


Lista
Entre os passageiros, está o nome de Marcelo Marthe. Apesar da reportagem não conseguir obter informações sobre ele, o Comunique-se confirmou com a redação da Veja que não se trata do repórter do veículo que tem o mesmo nome. “Ele estava aqui ontem à noite”, afirmou um jornalista da publicação.

Simulações sobre o acidente preparadas pelo jornalista José Antônio Meira da Rocha podem ser vistas ao clicar nas imagens desta matéria. O site Jornalistas da Web preparou uma simulação através da ferramenta Google Maps, com a descrição da trajetória enquanto o G1 disponibilizou um infográfico.

Nos comentários das matérias do Comunique-se sobre o acidente diversos usuários reclamam da cobertura jornalística de algumas emissoras. A Rede Record produziu uma edição especial do Jornal da Record enquanto a rede Bandeirantes e Rede TV! entravam ao vivo no acidente. A TV Globo manteve sua programação normal com chamadas que entravam até o Jornal Nacional, que deu destaque ao acidente. O SBT manteve sua programação normal e abordou o assunto apenas no SBT Brasil assim como a TVJB fez com o Telejornal do Brasil.
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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