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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Após denúncias, bomba explode na casa da família de jornalista durante a madrugada.


Parte do muro da residência da família do jornalista foi literalmente para o espaço com o impacto da explosão.

Um botijão de gás recheado de pólvora e parafusos explodiu em frente à casa da família do jornalista Rubens Coutinho, editor do TUDORONDONIA, na madrugada desta segunda-feira, na zona sul de Porto Velho. A explosão destruiu parcialmente o muro da frente da residência, abrindo um buraco, e um pedaço do artefato de metal atingiu o telhado da casa.

A explosão levantou uma nuvem de fumaça que encobriu a residência e foi ouvida a mais de um Km, inclusive numa unidade do 5º Batalhão da Polícia Militar localizada na praça do conjunto onde residem as filhas do jornalista.
A PM compareceu ao local e fez os primeiros levantamentos, registrando a ocorrência e solicitando a realização de perícia no material.

O muro amorteceu o impacto da explosão e pode ter evitado uma tragédia, pois crianças no interior da residência poderiam ter sido atingidas pelos parafusos que voaram para todos os lados com a explosão do botijão de gás cheio de pólvora.

Revoltado com a covardia, mas não amedrontado, Rubens Coutinho disse que continuará fazendo seu trabalho. "Pretendo comunicar por escrito o fato à Secretaria de Segurança Pública de Rondônia, Comando Geral da PM, Polícia Federal, Federação Nacional dos Jornalistas, Sindicato dos Jornalistas de Rondônia, Governo do Estado, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, entre outros órgãos, de maneira que, se algo acontecer comigo ou com minha família, autoridades e instituições terão sido previamente alertadas e não poderão, no futuro, alegar desconhecimento dos fatos", afirmou o jornalista, que, por ser apartidário, descartou motivação política para o atentado.

(Questões como essas, bem como aconteceu com Tim Lopes, no Rio de Janeiro, o Jornal Imprensa Popular, em Porto Velho, o Mesquita, em Ouro Preto do Oeste e que continuam acontecem em nosso cotidiano profissional precisam ser minunciosamente acompanhadas pelas autoridades policiais e juduciárias, municipais, estaduais e federais. Caso contrário estaremos fadados a admitir que impera ainda em nossos dias, em pleno século 21, o domínio do medo e o reino da impunidade).
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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