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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Roberto Gutierrez vem com força para a Airon


O jornalista Santiago Roa disse na manhã de hoje que não é candidato e nem faz parte da chapa encabeçada pelo jornalista Roberto Gutierrez para a Associação de Imprensa de Rondônia (Airon).

Santiago afirmou que está colocando em prática um programa de televisão e, isso, somado ao trabalho que tem na Ulbra, na condição de professor, não terá o tempo suficiente para assumir outra responsabilidade.

A informação foi comunicada pessoalmente ao jornalista Roberto Gutierrez, candidato à presidência da Airon. Roberto lamentou e, ao mesmo tempo, compreendeu a decisão tomada por Santiago.

Segundo Roberto Gutierrez, todas as pessoas que estão apoiando ele a essa nova empreitada não estão interessadas em cargos. “Elas se propuseram a ajudar a causa”, comentou.

Para Roberto Gutierrez, existem cinco diretrizes já definidas no programa de governo de dele à frente da Airon: Tornar a instituição reconhecida pela Assembleia Legislativa como entidade de utilidade pública; promoção de oficinas para o aperfeiçoamento profissional dos associados; assegurar os aportes financeiros para a construção da sede; criar o cartão Airon, que dará ao associado plano de saúde e descontos junto aos estabelecimentos comerciais; produzir a radiografia dos profissionais de imprensa de Rondônia e buscar meios para a regularização, bem como unir a categoria para encaminhar propostas que possam forçar ao congresso nacional a garantir o direito de registro definitivo aos profissionais que estão no mercado de trabalhos há pelo menos 10 anos.

A questão do provisionamento e registro definitivo fazem parte de uma discussão que requer o envolvimento de toda a categoria, em especial, aos que vivem na Região Norte.
Roberto Gutierrez fala sobre este assunto com a experiência de quem foi o relator da comissão de provisionamento do Sinjor em 1987, quando do primeiro encontro da categoria que enviou propostas para serem inseridas na constituição de 1988.

O presidente desta comissão era o jornalista Lúcio Albuquerque e o presidente do sindicato era o jornalista Paulo Queiroz.

Ao ser questionado sobre o porquê ser presidente da Airon, Roberto Gutierrez disse que o sentimento da categoria clama por mudanças e a instituição precisa de somar experiência e determinação. “Não posso ficar alheio a este processo por entender que nossas propostas são possíveis de colocá-las em prática”. A eleição da Airon será realizada o próximo dia seis em Ji-Paraná.
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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