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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Artigo: A imprensa marginalizada e a justiça de cristal

A cada dia que passa me convenço que é quase improvável que algum dia a justiça e a imprensa andem finalmente lado a lado na manutenção dos interesses da sociedade, enquanto uma confronta abertamente os problemas sociais e desnuda a realidade nua e crua a todo o momento, a justiça, cega por concepção, em vários casos, vira as costas para o papel destemido e muitas vezes até mesmo suicida da imprensa.

Seria tão mais fácil se os nossos ilustríssimos juristas de todo país bebessem da fonte dos trucidantes telefonemas, cartas e emails das fontes, e que houvesse um canal direto de comunicação que pudesse ajustar as duas funções em um só objetivo, impedir prováveis despautérios sociais, que quase sempre são anunciados, mas só combatidos quando já é tarde demais.

Não raro, muitas vezes, alguns promotores se omitem por confiar não nas palavras descritas nas matérias compostas com todo esmero por profissionais comprometidos com a verdade, antes preferem aguardar maiores acontecimentos para só então, sob o julgo da pressão popular arregaçar as mangas em prol do bem maior.

Não raro é, ver a credibilidade de um profissional da comunicação ser questionada até mesmo por aqueles que deveriam estar fazendo o trabalho pesado que o comunicador entregou de mãos beijadas, se possível fosse, tais profissionais seriam seriamente atirados ao desconsolo e a decepção depressiva de que a justiça não existe.

Mas, tais homens não são forjados na mesma cerne dos juristas de aluguel, mas são temperados com o escaldante sol que arde ao meio dia, quando um corrupto se encontra com seus comparsas para lesar mais uma comunidade ou são resfriados com os frios olhares dos capangas que precisam apenas de um deslize para executar para chegar as vias de fato em nome da “honra” do patrão.

Eu sei que sou um sonhador, e nunca tive dúvidas disso, pois vivo a todo momento percebendo os sorrisinhos de sarcasmo, os olhares mensageiros e meias palavras soltas pelos corredores do poder, em todas as instâncias, sei também que milhares de colegas já jogaram a toalha e renderam-se aos gordos convites de uma vida sem processos, ou seja em “paz” com os poderosos.

Sei também que muitos deles tentarão me taxar com termos piegas, pois já se encontram sedados pela desmotivação, mas no fundo somos todos iguais na essência de nossa infância profissional, quando tínhamos apenas um objetivo maior, salvar vidas através da escrita.

Mas, todos os dias quando acordo, faço questão de ir ao quarto dos meus filhos, mesmo os que estão distantes (vou em pensamento), e ao assistir aquele sono de sonhos, sem consciência da vida real que lá fora corre como uma locomotiva desgovernada, me revigoro e decido mais uma vez assumir, enquanto eles existirem, o papel de guardião de suas vidas e não consigo pensar em outra forma de cumprir o meu papel sem exercer a minha profissão com a devida ética e competência que esse sacerdócio (o jornalismo) exige.

Sei lá, a vida é uma grande ilusão, mas tenho a certeza que muitos pais fazem pelos seus filhos o que eu faço pelos meus.
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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