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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

2010 - Primeiro aniversário da PEC caloteira dos precatórios

(ARTIGO)
Estava eu assistindo a Retrospectiva 2009, da Band, nesta terça-feira (29/12/09), e tentando definir o que teria afetado em maior proporção as vidas de todos nós brasileiros, a lista já ia ficando enorme, a morte de Michael Jackson, a posse do Barak Obama, o pacote de estímulo econômico do governo federal na linha de eletrodomésticos e materiais para construção, o apagão energético de novembro, os planos de habitação do governo federal, a aprovação do aumento do numero de deputados pelo Congresso Nacional, a farra das passagens dos membros do Conselho de Ética da Câmara Federal, os 40 anos do Jornal Nacional, o acidente do Felipe Massa, a criação da lei do Anti-fumo, o lançamento do Pré-Sal, a escolha do Rio de Janeiro para as Olimpíadas pela primeira vez no Brasil, o anuncio do governo sobre a diminuição de CO2 na atmosfera brasileira, o dinheiro na meia do deputado do distrito federal, a morte do Lombardi, as chuvas devastadoras em todo país, o Brasil como o primeiro país mais conectado a internet, o acordo medíocre da Cúpula Climática em Copenhague e o aumento de R$ 45,00 no novo salário mínimo, enfim, uma montanha de fatos, quando, começo a rever o Escândalo dos Precatórios, que sem duvidas alguma vai refletir inexoravelmente na vida de milhares de brasileiros que se sentiram apunhalados por aqueles a quem elegeram para defender os seus direitos.

Só os governos do Rio e São Paulo juntos devem mais de 30 bilhões de reais em títulos podres, de um total de 100 bilhões, a milhares de brasileiros e vão sair ilesos dos tribunais sem qualquer chance de serem obrigados a pagar o que devem em um prazo justo e previsível, ou seja, a gosto de Deus.

Fica viva na memória a passagem de uma senhora aos 92 anos que disse estar se sentindo traída, mas, que a esperança é a última que morre, espero realmente que passados estes meses ela ainda esteja bem viva.

O calote fica ainda mais sórdido partindo da premissa que os mesmos governos que não pagam suas obrigações com a justiça, são implacáveis e não medem o peso da mão na hora de receber os infindáveis impostos que afundam a vida dos brasileiros, com a ajuda da própria justiça, que por ironia é sempre ágil e infalível.

Fico a imaginar se um dia os cidadãos de bem acordassem e decidissem empurrar o pagamento do IPTU para o “dia do Juízo Final”, quantos tribunais apoiariam a questão partindo do princípio da reciprocidade.

E por fim, na mesma reportagem de retrospectiva aparece um general aposentado que doou toda a sua vida em servidão incondicional em defesa da soberania nacional dirigindo-se a “esses políticos” como: “nós não temos governantes, nós temos uma corja de picaretas”...

A nojeira fica maior ainda com a promulgação por parte do Congresso Nacional, no último dia 10 de dezembro, acenando para a maior prova de exercício do abuso de poder praticada pelos políticos em toda história do Brasil, desde o empréstimo compulsório imposto pelo primeiro presidente brasileiro a protagonizar o vergonhoso processo de impeachment que arruíno a vida de milhões de pais de famílias, prefiro nem mencionar o nome deste picareta.

Basta lembrar que, o Brasil de hoje já não é mais o mesmo de dez anos atrás, segundo foi amplamente divulgado além de termos pagado toda a dívida centenária que possuía com o FMI, e ainda fez questão de anunciar que estará “emprestando” 10 bilhões ao mesmo Fundo Internacional em regime de contribuição para os “países pobres”.

Esse mesmo governo federal é aquele que fecha os olhos para todas as revelações e promiscuidades inomináveis de seus membros de partido e aliados, como vampiros da dignidade cidadã, que financia empréstimos politiqueiros para a Venezuela e que entra pelo cano com a Bolívia em milhões de reais e ainda apóia a reeleição destes vizinhos necessitados, tudo em nome de uma média perante a ótica do mundo globalizado, enquanto isso os próprios filhos da terra são assaltados a luz do dia com simples apertar de um botão nas mesas do Congresso Nacional.

"O peso do Executivo sobre o Judiciário será desproporcional e quem tem direito levará até 70 anos para receber". "É a institucionalização do calote" - afirmou o presidente da OAB, Cezar Britto.

Ou seja, o governo pode dar o calote que quiser na população e sai rindo da situação, enquanto o pobre é executado e tomam-lhe até as panelas.

Os órgãos públicos, que na sua grande maioria são administrados por uns bandos cafajestes, vãos pagar da forma que desejar, transformando calote de administração pública em lei federal.

Uma vez Fernando Henrique disse: “Existe uma ética no Congresso e outra no país”, (Não que eu seja um seguidor de suas filosofias administrativas), porém, se desejamos continuar uma nação livre e soberana precisamos mudar a leitura de nossos mandatários. Isso é imperativo.

Já não basta a cobrança de impostos de primeiro mundo com serviços de quinta categoria? A classe política precisa ser tratada na mesma moeda com que o povo é pago.
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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