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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Transposição de Rondônia: A novela com final infeliz que todo mundo sabia, mas ninguém tinha coragem de contar.

Essa semana a novela da transposição finalmente revelou seu aguardado último capítulo com um final infeliz que todo mundo teimava, ou até mesmo apostava todas as fichas, que tudo sairia conforme as esperanças dos servidores que depositaram todas suas expectativas e economias nos heroicos discursos de advogados e políticos que amarravam as esperanças de todos com a promessa de que a própria presidente Dilma Roussef já teria chegado a um consenso sobre a matéria e até viria a Rondônia para promover a redenção dos aflitos servidores.

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Passados quase 10 anos de agonia, quando então a senadora recém-chegada ao congresso, Fátima Cleide (PT), constituiu o texto original em 2003, a classe de servidores do quadro da União, que aguardavam a decisão da Advocacia Geral da União – AGU tiveram que ouvir da boca da própria ministra chefe da Casa Civil, que despacha diretamente com a presidente todos os dias, Gleisi Hoffmann e Miriam Belchior (Planejamento), além de representantes da A.G.U., que tudo aquilo que lhes foi diligentemente prometido por meio de sedutores discursos, desabou diante do posicionamento oficial do Governo Federal contrário à Transposição, alegando falta de embasamento jurídico e de recursos financeiros do Tesouro.

No capítulo final desse fatídico dia 07/08 (terça-feira), O que aconteceu com a transposição foi que muita gente que dourou a pílula, enxergando apenas aquilo que traria uma segurança para servidores "injustiçados", uma forma redentora de se beneficiar, agora amarga a triste realidade que foi omitida daqueles que acreditaram piamente em mercadores de ilusões.

Qualquer estudante de direito de primeiro período sabe que nenhuma norma se sobrepõe à Constituição. Nunca existiu a menor possibilidade de servidores contratados até 1991 serem inclusos na transposição e quem disse o contrário, simplesmente sempre agiu de má fé.

Os políticos de Rondônia como todos os sindicalistas, que só vivem de marcar reunião em Brasília, contracenaram articuladamente e falharam vergonhosamente, agora, ninguém quer assumir a paternidade do resultado, ou mesmo, se assume tentar culpar os "burocratas de Brasília", e ainda afirmam que os opositores políticos, políticos esses que sempre tentaram abrir os olhos dos servidores e, eram taxados de inimigos do publico numero um do funcionalismo, tentam sair a francesa da situação e, tirar proveito do tiro que lhes foi dado no próprio pé.

Poucos foram os que arriscaram declarar que tudo não passava de uma grande jogada política, e que a União não iria amparar os termos dos sindicatos, agora, passados os últimos momentos do capítulo final todos retornam a realidade e são obrigados a reconhecer que, por mais dolorosas que fossem as previsões daqueles que não embarcaram nesse naufrágio, elas refletiam a pura verdade.

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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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