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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Celebridades tem dificuldade para prestar seus votos de apoio à jornalista Rubens Coutinho

A comunidade internacional está em polvorosa pela extrema dificuldade em conseguir agendar uma audiência com a assessoria direta do jornalista Rubens Coutinho, recentemente atacado por um médico raivoso que se esconde nos porões das academias de Porto Velho - Rondônia.

Após o ocorrido, Rubinho, como é mais conhecido pelos amigos e interesseiros de plantão, recolheu-se em sua residência e sob orientação médica está afastado de suas atividades por um período de 30 dias.

Foi o que bastou para os políticos, autoridades, candidatos, religiosos, acadêmicos e até a cachorrada da rua promoverem uma verdadeira procissão de personalidades a visitar e incentivar o quebrantado jornalista a prosseguir em sua luta contra os desequilibrados sociais.

  • Na lista dos grandes nomes que já enviaram notas de apoio ou se fizeram presentes ao leito de repouso do jornalista estão: 
  • Lindomar Garçon (Candidato a Prefeito de Porto Velho), 
  • Hélio Vieira (Presidente da OAB), 
  • Aparício Carvalho (Ex-vice-governador), 
  • Hermínio Coelho (Presidente da Assembléia Legislativa), 
  • Carlos Magno (deputado federal), 
  • Acir Gurgacz (Senador licenciado), 
  • Tomás Correia (Senador/RO), 
  • Antônio Acácio do Amaral (Presidente da Força Sindical), 
  • Itamar Ferreira (Presidente da CUT), 
  • Jesualdo Pires (deputado estadual), 
  • Carlos Alencar (Presidente do SINJOR), 
  • Padre Ton (Deputado federal), 
  • Fátima Cleide (Candidata a prefeito de Porto Velho), 
  • Roberto Sobrinho (Atual prefeito de Porto Velho), 
  • Juscelino do Amaral (Chefe da Casa Civil) e milhares de outros que não conseguiremos citar em apenas um dia.

As equipes de marketing de campanha de alguns candidatos estão realizando um estudo profundo para ver até que ponto a contratação do médico aloprado para encenar um espancamento ao seu candidato ajudaria na elevação do indice de intenção de votos, o maior problema está sendo mesmo convencer os candidatos de que tudo não passará de uma encenação, o salário do médico já está decidido, o mesmo será remunerado com 500 ampolas de dopamina, a pedido do próprio médico que insistiu em receber adiantado, antes do início do espancamento ao político.
Segundo informações ainda não confirmadas, a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, estão tendo dificuldades em agendar as suas visitas separadamente pois a equipe de gerenciamento de crises do jornalista prevê que este não conseguirá aguentar as longas horas de paparicos a serem dispensadas numa possível visita.

Para tanto estão estudando a possibilidade de que os dois possam ser encaixados em uma visita conjunta para não tornar o evento tão cansativo.

Já o Papa entrou em contato com a CNBB e determinou que tudo seja providenciado para que até o próximo dia 15 de setembro o jornalista possa estar recebendo a sua visita.

Nas redes sociais em torno do globo terrestre não se fala em outra coisa, existe até uma campanha para dar um nome ao famoso cobertor do jornalista, na cor de salada de frutas, que aparece em 99,99% das fotos em que é registrado, estão abertas as sugestões para saber qual será o nome dado pela galera que não perde um episódio desta que virou mais uma novela da vida real.

SUGESTÕES JÁ APRESENTADAS:
  1. LARANJINHA
  2. SALADINHA
  3. ESPANTA MACHO
  4. TO DODÓI
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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