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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Crônicas de Rondônia

O bicho pegou em Porto Velho, secretários municipais e até um estadual foram parar atrás das grades por envolvimentos em um grandioso esquema de corrupção instalado no gabinete no prefeito Roberto Sobrinho e em pelo menos mais três secretarias, Secretaria de obras - SEMOSB ,  Secretaria de educação - SEMED e Secretaria de Projetos Especiais -  SEMPRE, que de especial mesmo só tinha os envolvidos que fazem parte do mais alto escalão do governo municipal da capital e agora estão dormindo nas dependências do Uerso Panda.

Assumiu o abacaxi de entregar em menos de 25 dias pelo menos parte dos viadutos da Jatuarana, o vice prefeito Emerson Castro (PMDB), que tem agora a inglória tarefa de fazer em vinte dias o que Roberto Sobrinho e sua troupe fizeram questão de não fazer em 4 anos.

Em entrevista coletiva concedida nesta sexta feira (08/12) à imprensa, o Procurador Geral da República, Reginaldo Trindade, foi categórico em dizer que se dependesse dele o Prefeito já estaria preso, mas, e não vê  a menor razão para que o judiciário não chegue a conclusão de que manter o mesmo em liberdade é um grande risco para o andamento das investigações que se encontram ainda em fase inicial, apesar de há quase um ano ter se iniciado.

Por incrível que pareça, a Cãmara Municipal de Porto Velho, ou qualquer vereador isoladamente, não manifestou um vírgula até agora sobre as prisões e as acusações contra o prefeito e seus secretários envolvidos em um esquema que, segundo a Polícia Federal, MPF e o MP de Rondônia, a suposta quadrilha instalada no gabinete do prefeito Roberto Sobrinho desviou mais de 100 milhões de reais. Mas também pudera, praticamente todos vereadores passaram os últimos 4 anos aplaudindo em pé os atos do executivo, como se Porto Velho fosse a capital mais bem administrada da república.

Em menos de um ano, a Polícia Federal e estadual realizaram quase meia dúzia de operações só em Rondônia que resultaram nas prisões de deputados, secretários de governo, secretários municipais, membros do judiciário afastados e parentes e advogados presos. Finalmente a população está assisitindo a verdadeira moralização nos órgãos públicos, a sensação geral é sem dúvida de “alma lavada” a cada semana, diante dos novos episódios de combate a a corrupção que vão surgindo pelo Estado de Rondônia, Parabéns aos corajosos que denunciaram os esquemas e fraudes e parabéns também ao brilhante trabalho do Procurador Geral de Justiça do MP do Estado de Rondônia, bem como d ao Procurador Geral da República, Reginaldo Trindade do MPF.

“Se o crime organizado e se levantou, a República também se organizou e se levantou contra o crime organizado”, essa nobres palavras sairam da boca do Procurador Geral de Justiça do Estado de Rondônia, Heverton Aguiar, que está dando um  show de bola no crime organizado que agia impunimente durante mais de 30 anos, apesar, de diversas vezes a imprensa, pessoas comuns e até mesmo autoridades cansaram de fazer de´núncias no balcão do MP Estadual e até hoje, a grande maioria não viu nenhuma ação por parte do MP. Em quem será que estavam esbarrando e ficando engavetadas tais denúncias,  no Dr. Herverton Aguiar o povo de Rondônia tem hoje a certeza de que não era.

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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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