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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Crônicas de Rondônia–(28/01) Quem vai honrar as vidas de nossos jovens?

Quebradeira

A maioria dos municípios brasileiros (64,4%) está impedida de celebrar convênios com a União porque tem suas contas em situação irregular. O levantamento foi feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) e divulgado no domingo, às vésperas do Encontro Nacional com Prefeitos e Prefeitas, promovido pelo governo federal, que tem início nesta segunda e vai até quarta-feira.

Em Rondônia, a coisa não poderia ser diferente, segundo o presidente eleito da Associação Rondoniense dos Municípios – AROM, prefeito de Mirante da Serra, Vitorino Cherque (PMDB), a situação é tão caótica que “72,9% assumiram os cargos enfrentando uma forte crise financeira nas contas dos seus municípios e estão sendo chamados pelo governo federal para que conheçam os programas e celebrem convênios. 'O problema é que mais de 60% deles estão impedidos pela legislação de celebrar convênios”. a grande pergunta que fica então é: Quem vai conseguir fazer alguma coisa em seu município de mãos amarradas desse jeito?

Após a tragédia

Ocorrida nesse Domingo (28/01), em Santa Maria/RS, o Corpo de Bombeiros de Porto Velho afirmou que existem cerca de 44 casas noturnas funcionam com Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros, em Porto Velho, segundo o comandante geral Lioberto Ubirajara Caetano. Entretanto, ele alerta para alguns locais que funcionam de forma irregular.

O que seria isso?

Segundo o Comandante Ubirajara: "Alguns estabelecimentos funcionam como um bar durante a maior parte do dia e durante a madrugada fecham as portas e se transformam em uma boate. O que acontece é que isso é irregular. O sistema de segurança anti-incêndio previsto para cada tipo de ambiente é totalmente diferente, e no caso de algum acidente, essa situação pode resultar em uma tragédia", explica.

E se não regularizar?

Quando o Corpo de Bombeiros descobre ou recebe alguma denúncia sobre lugares que agem irregularmente, eles tomam as medidas administrativas necessárias, como multa e notificação ao dono do local, e acionam o Ministério Público e a Delegacia de Jogos e Diversões da Polícia Civil sobre a situação irregular, para que ocorra investigação, e se for o caso, o fechamento do estabelecimento.

Precisava acontecer

Uma tragédia dessas proporções para as autoridades estudarem medidas mais rigorosas de seguranças em casas de shows, boates, casas noturnas, eventos e bares. mas, a verdade é que durante décadas as mesmas autoridades vem negligenciando a responsabilidade de tornar mais seguro os ambientes de diversão pelo país afora.

Resta saber

Se essa tragédia, que não é a primeira e não será a última, infelizmente, vai realmente servir de marco para um antes e um depois na vida dos frequentadores desses ambientes de risco. Em Porto Velho, poucas horas após o acontecido, o proprietário da Boate Hype, o produtor Guilherme Erse, comunicava em sua rede social o cancelamento do funcionamento da sua boate, em respeito e memória às vítimas da tragédia de Santa Maria. Taí um bom exemplo que deve ser louvado, porém, deve também ser precedido de uma prestação de contas públicas mensal aos frequentadores sobre as medidas aplicadas em nesses estabelecimentos.

Quem são os verdadeiros culpados?

Ainda sobre Santa Maria, na tragédia em questão, a Polícia Civil já ordenou a prisão preventiva de dois integrantes da Banda que se apresentava e de um dos sócios da Boate, porém, o que ninguém respondeu até agora é: Se o Alvará do Corpo de Bombeiros estava comprovadamente vencido, por que é que a Boate Kis continuava com suas portas abertas em pleno funcionamento, ou seja, será que estão prendendo os verdadeiros responsáveis por mais esse desastre sem precedentes?

CONTATOS: Contatos com a coluna podem ser feitos pelos telefones (69) 3224-6669 / 9214-1426, ou ainda pelo email danny_bueno3@hotmail.com. No Facebook: www.facebook.com/danny.bueno2 /ou no www.twitter.com/dannybueno3 ), ou ainda no www.dannybueno.blospot.com. Caso queira entregar denúncias ou documentos, favor encaminhar para Avenida Pinheiro Machado, nº 600 - Olaria, Porto Velho – RO / CEP. 76.801 – 213 - aos cuidados de Danny Bueno.

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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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