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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Pai de Naiara: ”este caso não foi resolvido ainda porque sou um pobre”

 

Pai de Naiara: ”este caso não foi resolvido ainda porque sou um pobre”

No último fim de semana o secretário de Defesa Marcelo Bessa declarou, em postagem na rede social Facebook, que “a decisão de deixar o Estado foi da própria família e não cabe à Polícia responsabilidade sobre isso”, falando sobre a família da jovem Naiara Carine, morta no dia 24 de janeiro deste ano em circunstâncias ainda não esclarecidas pela policia. A decisão de ir embora, segundo a família, se deu em virtude de ameaças que vinham sofrendo. Bessa declarou que “em contato com o delegado que preside a investigação este informou que não houve nenhuma ameaça concreta contra a família da vítima”.

Paulo César Silveira Freitas discordou publicamente do secretário

Paulo César Silveira Freitas discordou publicamente do secretário

Mas o pai da vítima, Paulo César Silveira Freitas discordou publicamente do secretário e em postagem também no Facebook declarou, “o senhor e o delegado Nestor (responsável pelo caso) estão esperando morrer mais um da minha família?”.

Na mesma postagem o pai de Naiara desabafa, “este caso não foi resolvido ainda porque sou um pobre se tivesse dinheiro ou poder politico já teria sido resolvido”.

O crime

Naiara Carine foi morta com 22 facadas no dia 24 de janeiro deste ano no ramal 15 de Novembro, próximo ao presídio Urso Branco, após ter sido violentada. A polícia prendeu um suspeito, Marcos Antônio Chaves da Silva, 38 anos, que em depoimento afirmou não ter agido sozinho. As investigações continuam e os indícios apontam para uma morte por encomenda, já que se sabe até o momento que pelo menos três homens participaram da ação.

Naiara Karine da Costa tinha 18 anos e foi encontrada no ramal 15 de Novembro

Naiara Karine da Costa tinha 18 anos e foi encontrada no ramal 15 de Novembro

O que se sabe

De acordo com as investigações da polícia a jovem havia saído de casa para fazer aulas em uma auto-escola e não retornou . Ela foi levada até o ramal 15 de Novembro onde foi violentada. Seu telefone celular, encontrado próximo ao corpo teria sido usado pelos criminosos para filmar algumas cenas, o que facilitou a identificação de Marcos Antônio Chaves da Silva. Antes dele, um suspeito havia sido preso em Guajará-Mirim, mas foi posto em liberdade por falta de indícios. Há  cerca de dois meses a polícia prendeu um policial militar acusado de estupro e chegou a anunciar que ele teria tido participação na morte de Naiara, o que não foi provado. Ele continua preso, mas por outros crimes.

Marcos Antônio Chaves da Silva foi identificado por imagens no celular da vítima

Marcos Antônio Chaves da Silva foi identificado por imagens no celular da vítima

Nas últimas semanas passou a circular a informação que a morte da jovem teria sido encomendada por conta de uma suposta relação amorosa envolvendo pessoas conhecidas da sociedade rondoniense. Essas informações ganharam força com o depoimento de Marcos Antônio Chaves, que vem se negando a entregar os demais envolvidos no crime, mas afirmou que não agiu sozinho e confirmou que a morte da jovem teria sido encomendada.

A polícia não se manifestou oficialmente sobre o caso, e o secretário Marcelo Bessa informou na mesma postagem no Facebook que “em relação à possível coautoria ou participação de outras pessoas no crime a Polícia prossegue com as investigações a fim de apurar todo e qualquer envolvimento de outras pessoas. Nenhuma informação ou hipótese está sendo descartada.” E finalizou, “toda investigação possui seu tempo, e a demora em solucionar o caso não significa desídia e, muito menos, conivência com o crime. A complexidade da investigação impõe procedimentos e cautelas que, lamentavelmente, requerem tempo”.

PAINEL POLÍTICO

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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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