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domingo, 9 de março de 2014

Jogo rasteiro para surpreender adversários e principalmente aliados

Para os que sentiram entusiasmados ou impressionados com o pedido de afastamento do prefeito de Ouro Preto do Oeste, Alex Testoni (PSD), podem colocar as barbas de molho, principalmente os dirigentes e integrantes de seu partido, pois pouca informação será repassada antes do próximo dia 30 de Março, quando então o enigmático ato será desfeito e tudo não passou de um golpe para evitar que o MP promovesse o afastamento do mesmo, o que já era dado como certo.
Fontes internas da própria cúpula do prefeito, informam que ele está sim candidatíssimo e em franca expansão do seu projeto a governo do Estado, e que a atitude inesperada não qualquer outro objetivo a não ser o de jogar uma cortina de fumaça para disfarçar suas reais intenções.
Na verdade, quem bem conhece o prefeito, sabe muito bem que ele está se lixando para as investigações promovidas pelo Ministério público e acredita piamente que sua banca de advogados é capaz de livrá-lo de toda sorte denuncias.
O projeto é tão forte que envolve ainda uma conversa secreta com o governador Confúcio Moura ocorrida este fim de semana para amarrar as alianças necessárias para sua indicação primeiramente do lado do governo para só então compor com o próprio partido.
Com rejeição da candidatura do atual governador batendo a casa dos 80%, Alex Testoni, que costuma jogar com absoluta convicção já promoveu todas as pesquisas necessárias para pressionar o governador a desistir e apoiá-lo.
Necessariamente o prefeito precisa de todas as garantias por parte do governador para em moeda de troca assegurar a inviabilidade da candidatura de Hermínio Coelho (PSD), eliminando assim um tropeço para os dois lados.
Seguro de que suas expectativas estão todas em plena concordância, Testoni esquece-se que além do apoio do Governo precisará de muito mais do que jogos rasteiros para ludibriar a opinião pública ou mesmo desfazer as improbidades já cometidas por seu governo, em que pese algum atraso nas investigações ou protelações jurídicas, mesmo que ganhasse ao governo, teria sério problemas para se manter, nesse caso seria bom ter um candidato a vice bem adestrado para não perder a posse do poder, há quem diga que a dobradinha será com o atual diretor do DER Lúcio Mosquini.
Que Deus tenha piedade de Rondônia!!!

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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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