
João Guimarães
Oração subordinada, metonímia, catacrese, zeugma. Esses termos e tantos outros presentes na gramática da Língua Portuguesa renderam ao idioma a fama de ser um dos mais difíceis de se aprender em todo o mundo. Para saber se a afirmação é verdadeira, o Diário consultou lingüistas de universidades do Estado. A resposta dos entrevistados foi uma só: isso não passa de mito.
O primeiro ponto é que não se pode fazer comparações entre diferentes idiomas. Cada língua possui uma complexidade própria. Se no Português o número de flexões é enorme, no Inglês os diferentes usos das preposições são de enlouquecer.
“Toda língua é suficiente para a comunicação da sua sociedade”, explica a lingüista Anna Christina Bentes, do Instituto de Estudos de Linguagem da Unicamp (Universidade de Campinas).
A sensação de facilidade que se tem ao aprender um segundo idioma é falsa. Para a doutora em lingüística e presidente do Conselho Geral de Pós-Graduação da PUC (Pontifícia Universidade Católica), Ana Maria Marques Cintra, a maioria das pessoas não aprende de verdade.
A principal razão para o surgimento do mito é a metodologia do ensino no Brasil. Os professores priorizam a gramática e se esquecem de trabalhar a linguagem. Isso acaba gerando um hábito nos alunos de apenas decorar as regras, ou seja, eles não aprendem. “Tem que ser o contrário, a teoria tem que ficar em segundo plano”, diz Ana Maria.
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