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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Álcool: O grande "Astro" da Novela das Oito


Desde os tempos em que as propagandas de cigarro eram permitidas não se percebe uma banalização tão acentuada de uma droga legalizada como o álcool promovida pela Rede Globo, através da novela das oito "Viver a Vida".

A grande desculpa para os milhares de "profissionais" que precisam se sustentar as custas das desgraças dos outros, as quais eles mesmo ajudam a promover, é a de que a "ficção imita a realidade"... Porém, especialistas afirmam que a verdade é bem ao contrário do que a emissoras milionárias, de contratos astronômicos com a maiores cervejarias do país, tentam sustentar.

Para aqueles que convivem profissionalmente, no dia a dia com os problemas sociais causados pelos dependentes químicos, vítimas do alcoolismo, o que a novela provoca na vida na verdade é um estímulo ao ato de beber, ou seja a ficção "estimula" e, até facilita a iniciação de algumas crianças e adolescentes que não dormem cedo, e ficam suscetíveis ao assédio da telinha.

Não estou falando apenas da novela Viver a Vida, pelo fato de trazer um problema sobre o tema em questão,a situação é generalizada em todas as outras novelas de todas as emissoras, mas o fato de tratar especificamente sobre o alcoolismo, mostrando como se ficar de pôrre todas as noites, acaba cerceando o direito do cidadão de não permitir que o problema entre em sua residência, como ficar longe das bebidas se as novelas apresentam 99,99% de glamour e normalidade no ato de beber e, apenas 0,01% de conscientização prática, ou a informação realista sobre os flagelos dos dependentes enquanto lutam para sair dessa escravidão.

Tá certo que a personagem Renata (vivida por Bárbara Paz), que substitui a comida pelo álcool, "luta" e se diz confiante na sua recuperação todas as vezes que se encontra em situações difíceis que comprometem até mesmo a sua integridade física, mas, continua bebendo sem que o telespectador vislumbre qualquer válvula de escape coerente para o drama da personagem.

Além disso, não é só o fato da personagem que vive o drama específico, a novela se reserva o direito de introduzir todos os demais personagem num sarau de coquetéis em diversas tomadas, como se "Viver a Vida" fosse encher a cara num constante Happy Hour entre amigos, o personagem Marcos (vivido por José Mayer), não sai de casa para os desfiles de sua esposa e baladas sociais,sem tomar um belo drinque em sua sala de estar, ornamentada com uma mesa repleta de bebidas internacionais, em memoráveis encontros familiares com suas filhas em segundo plano, a personagem Helena (vivida por Thaís Araújo), aparece ao lado de Marcos em longas tomadas com suas taças de champagnhe, as duas "médicas" (vividas por Daniele Suzuki e Christine Fernandes) não vão pra cama sem um belo vinho para encerrar a noitada, os irmãos gêmeos Miguel e Jorge (vividos por Mateus Solano), os dois com nomes de santos diga-se de passagem, tomam cerveja descontraídamente em uma pizzaria como se fosse um ritual familiar, a Sandra (vivida por Aparecida Petrowsky), irmã de Helena, grávida, vem desde o início da novela só no gargalo da garrafa, a Betina (vivida por Letícia Spiller), pra lá de alegrinha dá carona bêbada para Tereza (vivida por Lila cabral), que de tão embriagada, ao descer do carro desbarranca no meio fio, e por fim, Dona Noêmia (vivida por Lolita Rodriguez), mãe do galã principal, Marcos, é advertida periodicamente por sua dama de companhia para ir devagar com o champagnhe, das incontáveis cenas de regalos que a novela introduz nos lares brasileiros.

Vejam bem que, em nenhuma destas cenas eu citei a aparição da personagem Renata,que vive o drama do alcoolismo em questão.

Conhecido por abordar temas relevantes, o autor da novela Manoel Carlos tenta justificar os excessos e a idéia de naturalidade do uso contínuo de bebidas nas mesas brasileiras, afirmando que: "O álcool é uma das maiores desgraças de nossa sociedade", e que por isso sempre aborda o alcoolismo em seus trabalhos.

Porém, entre abordar um tema polêmico e relevante e passar da linha de tolerância cultural existe um largo e profundo abismo, em uma trama onde personagens bebem compulsivamente gera no público uma falsa aimpressão de que a maioria das pessoas bebem com a maior naturalidade em seus lares, como se fosse um costume arraigado no seio da família, quando se sabe que, metade da população brasileira não toma absolutamente nenhuma gota de álcool, segundo pesquisas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e da UNIAD - Unidade de Pesquisa e Álcool, comandadas pela pesquisadora Ilana Pinsky, coordenadora do ambulatório de adolescentes em São Paulo.

Na outra metade, apenas 1/4 (um quarto), tem distúrbios ligados aos problemas gerados pelo alccolismo, como a simples fato de ter dificuldade de falar em público, ou seja, vender a imagem do álcoólico bem sucedido interessa mil vezes mais aos fabricantes do setor do que aos pais e filhos da nação, que recebem muito mais mensagem subliminar de que o álcool atrai glamour, sexo, diversão, amizade, fortuna e status social do que a verdadeira tragédia vivida por uma minoria de brasileiros.

A maneira como é apresentado o tema leva o publico a absorver muito mais a normalidade de se beber a vontade do que o agravante relacionado ao problema, ela não aborda como deveria que a maioria dos acidentes de carros são provocados pelos alcoólicos, os diversos vexamos promovidos pelos dependentes, inclusive com reflexos irreparáveis na vida e carreira das pessoas, a violência sem limites desencadeada por um simples gole de cerveja, ou seja, dá-se a impressão que é normal beber "socialmente", pois a maioria dos que assim o fazem têm sempre o auto-controle na destra de suas atitudes.

Se pretendem incluir o marketing social em suas abordagens, por que não apresentam uma grande discussão entre amigos sobre a necessidade de se entregar o automóvel a quem não bebeu durante uma balada ao fim da madrugada?

Mas com certeza não, isso acarretaria muitos minutos valiosos desperdiçados fora do verdadeiro foco principal da novela que naturalmente é, não perder os milionários contratos com as cervejarias e adegas internacionais, e assim, "vamos vivendo a vida por viver", como o refrão da música de tom boêmio interpretada pelo Julio iglesias.
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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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