domingo, 30 de novembro de 2008

Justiça Eleitoral julga o prefeito eleito de Machadinho do Oeste.


As 16:00 h. da tarde de ontem (27/11/08), teve início a sessão de depoimentos das testemunhas que estiveram presentes ao churrasco promovido pelo então candidato Marinho da Caerd - PV, no Quinto Beck, distrito de Machadinho do Oeste, na propriedade do Sr. Ivo.



A denuncia foi apresentada pelo MCCE – Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral do interior de Rondônia, através de seu presidente, o jornalista Danny Bueno, que ao receber a denuncia anônima compareceu, presenciou e gravou o fato ocorrido na terça- feira (02/09/08), quando na ocasião o próprio candidato declarou que estaria até mesmo amparado pela justiça eleitoral que teria concedido permissão para as ilegalidades.


Durante mais 7 horas de audiência dezenas de testemunhas foram ouvidas e acareadas pela Dra. Juíza Márcia Cristina Rodrigues Masioli, sendo também interpeladas pelos advogados das partes.


Como autor da denuncia foi ouvido também em depoimento o jornalista Danny Bueno, que confirmou todas as acusações entregou em juízos as fitas originais das gravações que serão analisadas pela perícia da Polícia Federal de Porto Velho.


A audiência transcorreu com absoluta tranqüilidade, porém a Dra. Márcia Cristina Masioli concedeu uma escolta policial até o município de Ouro Preto do Oeste ao jornalista Danny Bueno que foi abordado por duas motos com dois elementos em cada uma durante a sua chegada ao município.


Ao final da audiência as pouco mais de 50 pessoas que estavam no auditório do Fórum foram convidadas a assistir aos vídeos contendo as gravações e as fotos que motivaram a denuncia envolvendo o prefeito eleito que poderá ter seu registro de candidatura ainda cassado antes data da diplomação.


Resta agora o aguardo das apurações finais da justiça eleitoral para o deferimento da sentença, onde serão considerados os fatos envolvendo o prefeito eleito por 5.913, enquanto o segundo colocado, Reginaldo Pereira da Silva teve 4.934, com uma diferença de 974 votos, que podem muito bem terem sidos conquistados pelas homéricas festas promovidas pelo prefeito eleito, que ficou provado através dos testemunhos em audiência que, como político em início de carreira demonstrou ser um excelente "churrasqueiro".

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Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno

_______________Arquivo vivo: