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domingo, 11 de novembro de 2012

Duas Mulheres, duas histórias

sandra santosDe manha sempre leio as noticias nos principais sites e hoje encontro duas oportunidade de aprendizado, enquanto leio.

Uma, que so li a manchete, é a sobre a oportunista e sem carater, Denise Rocha, ex-assessora parlamentar do video de sexo.

Julgo mesmo. É uma cretina oportunista. O tipo de mulher que nao é exemplo para mulher nenhuma. Uma pessoa que, formada em direito, tinha todos os caminhos abertos para uma carreira de sucesso, mas se vendeu pela fama.

Vendeu o corpo e o carater. Se nao tivesse sido ela mesma a gravar o video e colocar na internet para jogar com o objetivo de se tornar famosa, por uma questao de carater, jamais iria posar para revista masculina.

Iria até o fim para colocar na cadeia quem colocou o seu video intimo. Nao sendo assim, entao foi ela a responsavel por isso. Julguei e condenei. A atitude dela me fez ter essa atitude.

Por outro lado, Leio sobre a americana Kimberly Alexis Boulos, 25. Um exemplo para todos nós. Jogadora de futebol, que foi afetada emocionalmente pelas imagens de destruiçao do Haiti pelo terremoto em 2010.

Kimberly, que tem parentes distantes haitianos, resolveu aquele país destroçado da forma que podia: Jogando futebol. Enviou uma carta ao tecnico da seleçao haitiana perguntando como poderia colaborar e ele respondeu dizendo que a forma seria jogando. Ela entao, resolveu se naturalizar haitiana e desde entao faz parte da equipe naciona de futebol.

A jogadora, agora, tem planos de seguir colaborando com o Haiti, também atraves do maravilhoso trabalho feito pela ong brasileira Viva Rio que mantem perto de Porto Principe , um centro de treinamento para os jovens atletas haitianos, onde eles moram, se alimentam, estudam e treinam.

Duas mulheres. Duas historias.
Denise: Uma mulher que nao é exemplo para ninguem.
Kimberly: Uma garota que nos ensina que quem quer ajudar, nao fala. Faz. Um exemplo para todos nós.

Sandra Santos – Jornalista e apresentadora de TV

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ESTOU EM PAZ, E VOCÊ ?

Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno
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