
Bogotá, 31 mai (EFE).- A não renovação da licença do canal privado "RCTV" gerou hoje novas manifestações de rejeição de associações de imprensa, Parlamentos e instituições internacionais, que mostraram preocupação com o futuro da liberdade de expressão na Venezuela.
Representantes brasileiros no Parlamento do Mercosul disseram que proporão ao órgão um debate sobre "a séria ameaça às liberdades democráticas" representada pela cassação da licença da "RCTV".
A proposta será apresentada na próxima reunião do Parlamento, prevista para 25 de junho, em Montevidéu, explicou à Efe o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Na quarta-feira, o Senado havia aprovado uma moção de censura contra a suspensão da licença do canal venezuelano, apresentada por Azeredo. "O Senado chileno já aprovou uma moção semelhante, que compartilhamos em todos os seus termos", disse o senador tucano.
"Entre as condições para pertencer ao Mercosul está a plena vigência de todas as liberdades. Embora o presidente Hugo Chávez tenha sido eleito, suas práticas não estão sendo democráticas", acrescentou.
A Venezuela está em processo de adesão ao Mercosul, fundado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O texto constitutivo do bloco inclui uma "cláusula democrática", que prevê a suspensão de qualquer país-membro em caso de "atentados contra as liberdades", destacou Azevedo.
O ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que hoje esteve em Brasília, disse que acredita que a decisão de não renovar a concessão da "RCTV" não afetará outros canais, pois isso "não seria bom" para uma região acostumada com a liberdade de expressão.
"Esperamos que o caso termine por aqui", declarou Lagos a jornalistas estrangeiros.
A Assembléia Legislativa de El Salvador aprovou um pronunciamento contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por não renovar a licença da "Rádio Caracas Televisión" ("RCTV"), que saiu do ar à meia-noite de domingo, após 53 anos de atividade.
Os legisladores afirmaram sua "enérgica condenação a uma decisão política que representa uma clara violação dos direitos de liberdade de informação e de expressão, numa séria ameaça à democracia".
Deputados da esquerdista Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) disseram porém que o pronunciamento era uma "ingerência" numa "decisão soberana" do Governo da Venezuela e pediram "perdão" ao povo venezuelano pela iniciativa "aprovada pelos partidos de direita".
Em Buenos Aires, a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa), que reúne proprietários de órgãos de comunicação do país, disse que observa com "preocupação" o "baixo nível de resposta continental" no caso da "RCTV" .
"Hoje, salvo honrosas exceções, razões de Estado parecem impor o silêncio aos Governos da América do Sul, enquanto muitas organizações civis reagem com timidez ao perigoso rumo que tomam os eventos", acrescentou a entidade.
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que já se manifestou várias vezes sobre a "RCTV", acusou hoje a Venezuela de tentar eliminar "toda a oposição" midiática. Foi uma reação às ameaças públicas do Governo contra a rede de televisão venezuelana "Globovisión" e a americana "CNN".
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou na terça-feira às duas emissoras de instigar um "amplo plano de desestabilização" contra seu Governo.
"Ao chamar de inimigos os empregados da 'Globovisión', o presidente Chávez dá mostras de paranóia e intolerância", disse a RSF em comunicado.
O Centro Carter, com sede em Atlanta (EUA) fez hoje um apelo a um diálogo político para "manter a paz" e resolver o caso "RCTV". EFE al mf