quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Presidente da Câmara de Carlinda capota veículo oficial omite da população e é "acobertado" pelos demais vereadores

Perca Total – Presidente da Câmara Municipal de Carlinda e os demais vereadores estariam abafando o caso para que a população não tomasse conhecimento.

Presidente da Câmara de Carlinda suspeito de ter usado carro oficial para fins pessoais.

Por meio de procedimentos internos, sem qualquer esclarecimento, mesa diretora, funcionários da Câmara e demais buscaram encobrir o caso evitar que fato chegasse a população.

O presidente da Câmara Municipal de Carlinda, Robério Alencar (PSDB), mais conhecido como Robério da rodoviária, é protagonista de uma história inusitada, que está despertando grande curiosidade nos eleitores de Carlinda.

Segundo informações já confirmadas, pelo jornal Mato Grosso do Norte, um acidente que teria ocorrido no último dia 10 de setembro, com o carro oficial da Câmara Municipal de Carlinda, conduzido por Robério Alencar, um Fox Connection – 2018/2019 (adquirido em Dezembro de 2018), que teve perca total na avaliação da seguradora, após sofrer um capotamento, que até então nenhum do vereadores teria repassado a população.

Um acidente pode acontecer com qualquer pessoa, no entanto, em se tratando de um agente público, conduzindo um carro comprado com dinheiro público, a coisa muda de figura, pois teria obrigação explicar para a sociedade as circunstâncias reais em que realmente aconteceu o fato.

Porém, conforme informações obtidas pelo jornal Mato Grosso do Norte, publicado na edição desta Quarta (02/10), o presidente e quase todos os vereadores da Câmara de Carlinda não teriam dado as explicações necessárias para a população, e pelo contrário, estariam criando uma “cortina de fumaça”, para além de omitir os fatos da população, “camuflar” a verdadeira história a fim de evitar que a sociedade ou a imprensa tenha acesso ao que de fato aconteceu sobre o acidente.

A própria Prefeita do Município, Carmen Martinez, só ficou sabendo do acidente 15 dias após o ocorrido, através de uma funcionária da prefeitura, responsável por acompanhar publicações no site da Associação Mato-Grossense dos Municípios – AMM, aonde viu uma publicação da Câmara de Carlinda dando baixa do carro no patrimônio do legislativo municipal. Nenhum dos 9 vereadores do município comunicou o fato nem a o Executivo municipal.

Carro oficial da Câmara Municipal, destruído no acidente sigiloso, provocado pelo presidente da Câmara

COMISSÃO SIGILOSA NA CÂMARA

Procurado por pelo jornal MTdoNorte, o presidente da Câmara Municipal de Carlinda, Robério Alencar se recusou a dar informações sobre o acidente, e disse que “já estava tudo resolvido”, diante da insistência do jornal, pediu para que as informações fossem repassadas pelo controlador interno da Câmara, Darley Tavares.

Conforme o Controlador interno da Câmara Municipal de Carlinda, realmente o presidente do Legislativo, vereador Francisco Robério Gomes de Alencar, se deslocou até a cidade de Peixoto de Azevedo, atendendo a um pedido via Ofício CMPA/GP nº 243/ 2019, do vereador Gilmar Santos de Souza, presidente da Câmara Municipal do referido município, convidando-o para uma “reunião” para tratar de assuntos relacionados à Campanha Nacional de Prevenção de Acidente de Trânsito (que pode ser obtida em qualquer pesquisa na internet), e também sobre a pavimentação asfáltica da rodovia MT 419. O “evento” que só era do onhecimento dos dois presidentes do legislativo,  teria ocorrido no dia 10/09 de 2019, às 9 horas da manhã, na Câmara Municipal da cidade de Peixoto de Azevedo.

Segundo o Controlador Interno, Darley Tavares, após o acidente, foi aberta uma comissão na Câmara Municipal, composta por funcionários efetivos, porque não pode ter a participação de vereadores, para que haja não haja proteção ao colega.

Darley Tavares afirmou categoricamente ao jornal que não há testemunhas do acidente, e por isso o relatório foi feito com base apenas no depoimento prestado pelo próprio presidente.

De acordo com ele, seguindo orientação do jurídico da Casa de Leis, e constatando que todos os documentos estão em acordo com a legislação, foram feitos os seguintes procedimentos:

1 – Acostado ofício da Câmara de Peixoto;
2 – O boletim de ocorrência;
3 – E o Diário de bordo da viagem;

Darley Tavares, disse que “existe uma resolução interna do legislativo, que permite que os vereadores utilizem o carro da Câmara para viagem, desde que eu abasteçam do próprio bolso e que além disso, os vereadores têm a verba indenizatória para despesa”, disse o controlador.

“O carro, destruído pelo aidente, é um Fox Connection ano 2018 modelo 2019, que tinha seguro. Como houve perca Total? Por que a coluna do veículo foi comprometida, não haverá prejuízo para Câmara Municipal, pois não é necessário pagar franquia e a Câmara será ressarcida com valor da tabela FIPE, tendo apenas que fazer a licitação para comprar outro veículo” completou Darley Tavares.

Segundo o controlador, que repete a versão contada pelo presidente da Câmara, o acidente teria acontecido por volta das 15 horas.

A TESTEMUNHA DE ALTA FLORESTA

Apesar da história apresentada pelo presidente da Câmara do Município de Carlinda, Robério Alencar, segundo o jornal Mato Grosso do Norte que apresenta como fonte segura, uma versão contrária sobre o caso do capotamento do veículo e acobertada por seus pares foi apresentada por uma testemunha que passou no local do acidente cerca minutos após o ocorrido.

A versão contada pela testemunha, que é morador de Alta Floresta, diverge em muito com a versão sustentada pelo presidente e pela própria Comissão da Câmara, que diz que o vereador presidente estava sozinho na hora do acidente.

A testemunha, que pediu para não ter o nome revelado, alega que prestou socorro a um dos feridos logo após o acidente, e que o mesmo disse que haviam quatro pessoas no carro.

Conta a testemunha, que chegou no local do acidente poucos minutos depois após ter acontecido e que o presidente da Câmara já não estava mais no local, que aconteceu há cerca de 15 km de Nova Guarita, na rodovia MT 208 sentido a balsa.

“Eu cheguei no local carro já estava capotado, com os pneus para cima, mas, não parecia muito estragado. Um homem estava no local machucado e disse que havia quatro pessoas no veículo na hora do acidente. O vereador Robério, um casal e ele, e que Robério teria cortado o braço e a perna no capotamento”.

Segundo a testemunha, “Ele (Robério Alencar), pegou uma carona e foi para Nova Guarita para ser atendido no hospital, não cheguei a vê-lo”, disse.

Conforme a testemunha, que socorreu a vítima do acidente deixada para trás, o homem que estava fora do veículo, contou que apesar de estar com fortes dores de cabeça, a pedido de Robério havia ficado no local do acidente para “olhar o carro”.

O outro homem e uma mulher, que era um casal descrito pelo primeiro socorrido tinham sofrido, felizmente, apenas ferimentos leve, e decidiram seguir pela estrada a pé para conseguir socorro, no sentido da balsa.

A testemunha, conta ainda que apesar de reclamar das fortes dores de cabeça, devido a pancada sofrido no acidente, o homem insistia em permanecer no local om medo de desobedecer o vereador, porém, este conseguiu convencê-lo de que a sua condição era séria e que ele não podia ficar ali naquela situação, sentindo forte dores, pois precisava ser atendido em um hospital, e ele decidiu vir de carona comigo, no caminho, viemos cuidando a estrada para ver se via o casal, paramos na balsa e descrevemos a aparência deles, porém, ninguém os havia isto.

O homem veio comigo até perto do local conhecido como Quatro Pontes, próximo a Carlinda, pois sua casa ficava na zona rural, próximo as Quatro pontes, disse que iria falar com a esposa e depois para Alta Floresta receber atendimento necessário.

Ele confirmava o tempo todo que haviam 4 pessoas no carro na hora do acidente, o Robério, o casal e ele e que o acidente aconteceu entre as 17:00 e 18:00 horas, conta a fonte moradora de Alta Floresta, que estava em viagem de trabalho na região.

CONTRADIÇÕES SUSPEITAS

O vereador presidente, Robério Alencar, também sustenta em sua versão, que recebeu um convite oficial para ir a Peixoto de Azevedo participar de um evento sobre trânsito. Porém, o presidente da Câmara Municipal de Peixoto de Azevedo, Gilmar Santos (PL), diz que convidou “de Presidente para Presidente” o vereador Robério Alencar, apenas para estar em Peixoto de Azevedo, na terça-feira dia 10, para falar de uma campanha sobre prevenção de acidente de trânsito.

“Convidei para sugerir que ele levasse essa campanha sobre o trânsito para Carlinda. Eu recebi por volta das 10:30 e meu gabinete e conversamos. Apesar de estar fora do horário, ele me ligou e eu atendi. Conversamos só eu e ele. Foi um convite de Presidente para presidente. Por isso se você perguntar para outros vereadores, eles não irão saber se houve esse encontro. Pois o expediente da Câmara de Peixoto é a partir das 12 horas, mas ele estava na cidade, e eu atendi meu gabinete pela manhã”, afirma Gilmar.

De fato, outro vereador de Peixoto Azevedo, Paulo Dendena (Paulinho), perguntado se tinha conhecimento sobre esta reunião, simplesmente disse que não teve reunião nenhuma.

O QUE FALTA APURAR?

Um consultor jurídico, consultado pelo jornal Mato Grosso do Norte, explicou que em casos desta natureza, as providências a serem tomadas pela câmara municipal de Carlinda seriam:
1 – Fazer um boletim de ocorrência;
2 – Instaurar um processo administrativo para apurar o acidente;
3 – Apurar se há pauta da viagem e se era oficial;
4 – Se a Câmara foi informada oficialmente da viagem,
5 – Se o condutor estava sozinho. Se não estava, quem estava com ele, porque estava, e se tinha ingerido
bebidas alcoólicas.
6 – Seu o carro tinha seguro, quem vai pagar a franquia;
7 – Se o acidente ocorreu sem culpa para o condutor, a câmara poderá pagar o prejuízo se a culpa foi ele
próprio terá que arcar com o pagamento;
8 – A câmara, deve ter o convite para o tal evento para o qual Vereador alega ter sido convidado e a mesma
ter dado uma resposta confirmando convite;
9 – Empenhando a despesa do combustível em caso de viagem realizada com o veículo oficial;
10 – E por fim, o diário de bordo do veículo, com o detalhamento de horários e locais visitados.

Ainda, segundo o consultor jurídico, se for comprovado que havia mais alguém no carro com o Vereador, terá que pagar os todos prejuízos causados ao erário e a terceiros pelo acidente.

Nenhum dos 9 vereadores do município, mesmo tendo conhecimento, se importou em comunicar o ocorrido para a população

Com informações do Jornal Mato Grosso do Norte

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Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno

_______________Arquivo vivo: