segunda-feira, 12 de abril de 2021

Médico demitido de hospital particular de Alta Floresta faz denúncias graves em rede social

VIDAS EM JOGO – 

A princípio as denúncias já estão sendo  investigadas pelo MP e a PJC de Alta Floresta, que já colheram o depoimento do Dr. Wagner Miranda Jr, na tarde desta Segunda (12).

 

O médico residente do Hospital Santa Rita, de Alta Floresta, alegou em uma postagem de seu perfil no Facebook que foi vítima de retaliações administrativas que culminaram na sua demissão sumária após levantar questionamentos que, segundo ele, confrontam os interesses do Hospital.

As denúncias começaram a ser proferidas através do programa Olho Vivo da Tv Nativa (Record de Alta Floresta), no horário do meio dia, quanto o médico Wagner J. Miranda Jr. deu início a uma série de acusações na caixa de cometários da emissora.

As mensagens causaram uma preocupação generalizada entre os telespectadores que estavam acompanhando o programa por meio do canal que era transmitido ao vivo pelo apresentador Oliveira Dias.

No texto descrito pelo médico, ele narra uma situação pra lá de incriminadora que estaria ocorrendo dentro dos leitos de UTIs que estão funcionando dentro do Hospital privado, mas, que está recebendo recursos público para ajudar a gerir a crise pandêmica que se instalou no município.

Ao todo, o Hospital Santa Rita administra cerca de 25 leitos comprados e custeados com dinheiro público, por meio do governo do Estado de Mato Grosso, aonde a prefeitura recebe os recursos e repassa na forma de convênio ao hospital particular, que é o único do município que montou estrutura para atender pacientes de UTIs.

Apesar das denúncias, o programa, que tem por praxe dar atenção aos comentários postados, seguiu normalmente como se não tivesse observado o teor das postagens, ignorante de plano os comentários do médico, porém, o mesmo, ao perceber que foi ignorado, acabou repetindo as denúncias em seu próprio perfil, no Facebook, e lá centenas de comentários e compartilhamentos começaram a surgir em tom de apoio em favor do médico e indignação a contra o hospital.

Em seus textos, basicamente o médico acusa o hospital de, supostamente, não manter o estoque de remédios necessários (ampolas), para o tratamento de pacientes em dia e também de manter os leitos de UTIs públicos “misturados” com os leitos de UTIs privados, o que seria irregular, além de falta de respiradores suficientes, que em dada situação foram retirados de um paciente em UTI para a montagem de uma UTI modelo que seria inspecionada pela auditoria do SUS.

Em contato com o Dr. Wagner J. Miranda Jr., o nosso portal , conseguiu as confirmações sobre a titularidade das postagens, e convidamos o médico para uma entrevista em que possa repassar as informações que possuí sobre as denúncias que está sendo autor.

Segundo o médico, existe muita coisa para ser mostrada, mas, como já tinha agendado um depoimento ao Ministério Público no fim da tarde desta Segunda (12/04) e, na sequência ao delegado Vinícius Nazário, aonde pretendia repassar as provas que possui.

A entrevista ficou em suspenso para ser realizada ainda nesta Terça (13/04), aonde estaremos recebendo e abrindo espaço para que o médico venha a público apresentar tudo o que afirmou em suas postagens.

Perguntamos ao secretário municipal de Saúde, Lauriano Barella, já tomado alguma medida para ouvir o Dr. Wagner Miranda Jr, quanto as acusações gravíssimas da forma como estão sendo administrados os leitos de UTIs dentro do Hospital Santa Rita? 

R: O secretário Lauriano Barella respondeu que já esteve reunido com o Dr. Wagner Miranda, e que está tomando as medidas necessárias.

Perguntamos também se o próprio secretário, algum dia já tinha adentrado o espaço físico do hospital e nesse caso se tinha conhecimento de que os leitos eram assim administrados?

R: O secretário não respondeu quanto a esse questionamento.

O OUTRO LADO

Entramos em contato com o proprietário do Hospital Santa Rita, Dr. Marcelo Miranda, mas, não fomos atendidos e deixamos recados para que houvesse oportunidade do mesmo apresentar sua versão sobre o assunto levantado pelo seu ex-funcionário. Até o final desta edição, não recebemos qualquer retorno por parte do proprietário do Hospital.

POR OUTRO LADO

A grande questão que se levanta em casos como esses é:

Por que o Dr. Wagner J. Miranda Jr. só fez essa denúncia tão gravíssima somente agora? E se não tivesse sido demitido, será que viria a público com tais acusações?

Se tudo der certo, amanhã ouviremos do próprio médico quais são suas argumentações sobre as questões levantadas.

Agora, e “se” forem confirmadas as acusações? Independente da época em que forem apresentadas as denúncias, muita “gente grande” pode cair junto e serem responsabilizados judicial e criminalmente perante a sociedade alta-florestense.

NOTA EMITIDA PELA PREFEITURA DE ALTA FLORESTA NO FINAL DA TARDE:

NOTA INFORMATIVA
A Prefeitura Municipal de Alta Floresta vem a público noticiar que já tomou conhecimento das denúncias do Dr. Wagner Miranda Jr, e que já conversou com o mesmo pessoalmente e tomará as medidas cabíveis junto aos órgãos de fiscalização competentes e junto a Governo do Estado.

Toda denúncia que envolve vidas, merece ser investigada com toda atenção possível.

A Prefeitura externa seus sentimentos quanto as perdas das famílias, e que neste momento, possamos unir forças na superação desta pandemia.

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Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno

_______________Arquivo vivo: