sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Crônicas de Rondônia (23/02)–Incêndios em Porto Velho partiram do Urso Branco

Fim do mistério

Uma investigação realizada pela Polícia Civil de Porto Velho, comandada pelo delegado Jeremias Mendes de Souza, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, confirmou que os incêndios ocorridos no últimos dia 20/02 em veículos estacionados nas ruas de Porto Velho, foram ordenados por membros de facções que controlam o presídio Urso Branco, em protesto ao tratamento “especial” dado aos presos transferidos de Santa Catarina. Segundo o delegado, os bandidos ordenaram também a queima de ônibus na capital. Existe também uma segunda linha de investigação que não descarta a participação dos próprios proprietários dos veículos. Para cada noite de “ataque”, os bandidos ganharão 2 mil reais por seus feitos.

Polícia agiu rápido

O coordenador das investigações, delegado Francisco Alencar da Silva, a polícia já identificou cinco suspeitos de executarem os ataques em Porto Velho. Os detentos do Urso Branco que planejaram e ordenaram os ataques também já foram identificados. Ele pediu à Justiça o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos para colher provas. Conforme uma perícia realizada nos carros incendiados, os suspeitos usaram coquetéis Molotov para atear fogo nos veículos, todos sucateados. Os ataques aconteceram em ruas diferentes no bairro Nova Porto Velho, na zona leste. Outras quatro tentativas de ataques a veículos foram registradas. Não houve feridos.

Nesse caso

A situação muda totalmente de figura, pois antes se pensava  e se afirmava serem atos isolados e que tudo não passava de ação de vândalos tentando apavorar a população. Confirmadas agora as autorias e os mandantes, a coisa ficou mais séria do que se pensava e a Secretaria de Segurança precisa agir com intensidade para que nenhum ato se concretize ou uma nova crise estará instalada no Estado. A minha pergunta é: Será que só eu tinha certeza que isso não era coisa “vândalos”? Conforme escrevi ontem na coluna, a coincidência era grande demais pra não ser verdade.

Mais mistérios

Outro misterioso caso que desta vez depõe contra a Polícia Civil é o desaparecimento de um funcionário público, MOISÉS RODRIGUES LIMA, lotado na SEDUC, que simplesmente desapareceu em uma viagem de transporte de utensílios escolares e há mais de 40 dias ninguém sabe informar a quantas andam as investigações sobre o caso. Inconformados com a falta de atenção da polícia, parentes da vítima iniciaram  por conta própria uma investigação e chegaram a uma testemunha que afirmar ter conversado com dois indivíduos que não constavam na lista de tripulantes obtida pela polícia e um destes afirmou friamente ter discutido por  motivo fútil com Moisés, agredido e depois atirado-o ao leito do Rio Madeira, com o barco em movimento a ponto de ter se escutado o impacto do corpo no leme da embarcação.

WSDEWE

Caso sério

Se essa testemunha confirmar o fato e a Polícia chegar aos autores estaremos diante de um caso de extrema omissão, pois quanto o Estado peca em não seguir as pistas, por mais insignificantes que sejam há que se ter uma responsabilização sobre alguém, o povo, principalmente os mais humildes, não aguenta mais ser tratado com tanta negligência em certos casos que só se tornam “importantes” depois vão parar na mídia.

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Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno

_______________Arquivo vivo: