segunda-feira, 29 de abril de 2019

Vereador de Alta Floresta vai apresentar projeto para revogar salários baixos que desmotivam profissionais da prefeitura

O vereador Dida Pires, prevê que a revogação da emenda que permitiu rebaixar os salários, seja a única saída momentânea para a prefeitura tirar Alta Floresta do abandono de cargos de funcionários, e fazer a máquina pública “sair do atoleiro” da improdutividade.

Vereador afirma que tem a solução momentânea para o prefeito evitar a paralisação do município.

A discussão sobre o assunto dos salários incompatíveis aos cargos oferecidos, que tomou conta da classe política de Alta Floresta e culminou em uma crise entre o prefeito Aziel Bezerra (MDB), secretariado municipal e a Câmara de Vereadores, pode ter o “remédio certo”, que será apresentado na forma de projeto, como uma alternativa para solucionar o problema, porém, a prefeitura vai ter que “rebolar” pra administrar a crise, e nesse caso “rebolar” significa fazer demissões pontuais para ajustar o orçamento da folha de pagamento.

Não que o vereador Dida Pires (PPS), morra de amores pelo prefeito e sua equipe administrativa, muito pelo contrário, pois já denunciou na tribuna da Câmara Municipal vários atos de improbidades que posteriormente se tornaram foco de investigações em andamento pelo MP, mas, fazendo isso cumpre seu papel de ajudar o município a vencer uma das dificuldades que está transtornando a vida dos contribuintes (eleitores).

Pois bem, de certa forma, além do vereador Dida Pires nenhum outro vereador apresentou até o momento outra saída emergencial que faça a crise instalada se esfriar, e se os vereadores aprovarem a revogação da emenda que instituiu salários de R$ 998,00 (salário mínimo), a profissionais de função técnica específica, que tem tetos muito superiores a um salário mínimo nas carreiras que atuam, estarão assumindo o grande erro que cometeram em 2017 quando aprovaram tais medidas a pedido da prefeitura, que na época tinha o Ministério Público em seu encalço.

Ao revogarem a emenda, os vereadores permitirão que o prefeito contrate tais trabalhadores pelo preço compatível a categoria que atuam, pois em alguns casos alguns desses salários ultrapassam a faixa de 5 mil reais.

Segundo vereador, o projeto será apresentado amanhã (Terça – 30/04), na sessão ordinária da Câmara Municipal como medida paliativa que permita o prefeito e sua administração contratar pessoal até a elaboração de concursos públicos, os quais já estão com prazos esgotado e sob intervenção da justiça que deu até 150 dias para organização obrigatória de novos concursos públicos, sob pena de multas e até medidas judicias mais extremas contra a pessoa do prefeito em caso de descumprimento.

Porém,  observa o vereador que a medida deve ser tratada com seriedade pelo executivo pois na época em que foi adotado os salários mínimos para os funcionários havia uma forte pressão do Ministério Público para o enxugamento da folha de pagamento e redução do número de funcionários, e apesar de ter atendido os requisitos do MP e se enquadrado para não sofrer punições legais, acabou criando uma situação indigesta para quem foi recontratado por salários inferiores aos de suas funções.

Nesse ponto, podemos dizer que o secretário de obras, Elói Luiz de Almeida, está redondamente correto, pois foi por causa dessa “lambança” praticada pela prefeitura e a Câmara que hoje o município segue para a estagnação motora, se os vereadores ousassem em não aprovar a emenda criada em julho de 2017, a prefeitura teria que ter demitido muita gente comissionada, realizado o concurso público e com isso readequando suas contas para dispor de salários dignos aos funcionários de função específica, se aprovaram foi por que assumiram o risco de errar e agora estão moralmente obrigados a corrigir isso.

O vereador Dida, que já está em seu quinto mandato, diz que conhece muito a fundo a realidade destes funcionários e essa problemática já vai fazer dois anos que não se consegue encontrar a mão de obra especializada que estes dispõem em qualquer lugar e muito menos por salários incompatíveis com os salários de carreira da categoria que pertencem.

O vereador apresentou uma lista de funções que se enquadram nos cargos que estão sendo abandonados pela incompatibilidade salarial, entre eles, caminhoneiros, operadores de máquina, patroleiros, torneiros, betoneiros, funileiros, pedreiros, agentes ambientais, garis e borracheiros que não estão mais dispostos a esperar a prefeitura “inventar” meios de suprir seus salários. Segundo vereador, uns poucos que ficaram acabam tendo reposição com “maquiagens” nos salários, com horas extras.

O vereador espera que seus pares o apoiem na aprovação da revogação da emenda que generalizou os salários e que o prefeito enxergue a necessidade de exonerar diversos cargos comissionados que estão “sobrando” na prefeitura e são os grandes responsáveis pela gordura que impede que os recursos salariais sejam ajustados as categorias que estão abandonando a máquina pública, além disso, aplique o concurso público que atrairá servidores que ocuparão as vagas ocupadas atualmente por comissionados.

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Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno

_______________Arquivo vivo: